31 de julho de 2008

AS PALAVRAS

As palavras são boas. As palavras são más. As
palavras ofendem. As palavras pedem desculpas.
As palavras queimam. As palavras acariciam.
As palavras são dadas, trocadas, oferecidas,
vendidas e inventadas. As palavras estão ausentes.
Algumas palavras sugam-nos, não nos largam...
As palavras aconselham, sugerem, insinuam,
ordenam, impõem, segregam, eliminam. São melífluas
ou azedas. O mundo gira sobre palavras lubrificadas
com óleo de paciência. Os cérebros estão cheios
de palavras que vivem em boa paz com as suas
contrárias e inimigas. Por isso as pessoas fazem o
contrário do que pensam, julgando pensar o
que fazem. Há muitas palavras. E há os
discursos, que são palavras encostadas
umas às outras, em equilíbrio instável graças
a uma precária sintaxe, até ao prego final do
Disse ou Tenho dito. Com discursos se comemora,
se inaugura, se abrem e fecham sessões, se
lançam cortinas de fumo ou dispõem bambinelas
de veludo. São brindes, orações, palestras e
conferências. Pelos discursos se transmitem
louvores, agradecimentos, programas e fantasias. E
depois as palavras dos discursos aparecem deitadas
em papéis, são pintadas de tinta de impressão - e por
essa via entram na imortalidade do Verbo. E as palavras
escorrem tão fluidas como o
"precioso líquido". Escorrem interminavelmente,
alagam o chão, sobem aos joelhos,
chegam à cintura, aos ombros, ao pescoço.
É o dilúvio universal, um coro desafinado
que jorra de milhões de bocas. A terra segue o seu
caminho envolta num clamor de loucos, aos gritos,
aos uivos, envoltos também num murmúrio manso,
represo e conciliador... E tudo isso atordoa as estrelas
e perturba as comunicações, como as tempestades
solares. Porque as palavras deixaram de comunicar.
Cada palavra é dita para que se não ouça outra
palavra. A palavra, mesmo quando não afirma,
afirma-se. A palavra não responde nem pergunta:
amassa. A palavra é a erva fresca e verde
que cobre os dentes do pântano. A palavra é poeira
nos olhos e olhos furados. A palavra não mostra.
A palavra disfarça. Daí que seja urgente moldar
as palavras para que a sementeira se mude em
seara. Daí que as palavras sejam instrumento
de morte - ou de salvação. Daí que a palavra só valha
o que valer o silêncio do ato. Há também o silêncio.
O silêncio, por definição, é o que não se ouve.
O silêncio escuta, examina, observa, pesa e analisa.
O silêncio é fecundo. O silêncio é a terra negra e fértil,
o húmus do ser, a melodia calada sob a luz solar.
Caem sobre ele as palavras. Todas as palavras.
As palavras boas e as más. O trigo e o joio.
Mas só o trigo dá pão.


(José Saramago)


29 de julho de 2008

Dessas, e daquelas!


Queria apresentar os meus lindos sobrinhos se lambuzando de doce, eles são um pedacinho de mim, e vcs têm que conhecer: Victor e Maria Luisa. Lindos não?

Beijos à todos!

Havia uma mãe. Sim, havia. Dessas do famoso cordão umbilical, do leite, da fralda suja. Porém, eu quis mais. E encontrei - daqueles encontros inesquecíveis - uma outra mãe. Era um outro conceito, outras palavras, outros ombros. E pensei: por que não duas mães?! Uma, seria dessas, que já sabemos (e sabemos mesmo!), a outra, daquelas! Daquela mãe que sabe do meu olhar por um outro olhar, que sabe também dos suspiros meus que nosso tempo AGORA pensa, sente e respira, que puxa a minha orelha só porque já lambeu a lama que me observa beijar. E é mãe, porque me ama também no meu fedor (não o das fraldas, e sim, um mais denso, orgânico, íntimo e muitas vezes romântico), me carrega com os dentes sujos da mesma vida que me lambuzo, dialoga no mesmo tom que respiro, com as notas dissonantes, mas com fé no que sou. Uma mãe que inventei para mim - e que invenção real! -, compartilha os meus tropeços e soluços da carne, do azedo, do medíocre, e por tudo isso e mais um pouco, do belo. Sinto que posso ter essa mãe e assim chamá-la (isso porque ainda não inventamos alguma outra palavra que defina esse novo encontro). Mãe porque está e esteve lá: no meu crescer, encolher, no meu rastro (sem perseguir!), no meu corpo, no meu apodrecer, no meu enlouquecer e no meu evoluir. Do meu sexo sabe tudo!! (Será?!) Chamo-te mãe! Inventei o meu novo canto-mãe, para minha mais nova mãe, e agora desafio todos: criemos um novo lar, responsável, para as novas mães, as mães dos dias à dias. Daquelas! que não esquecem jamais, assim como o primeiro colo que ganhamos na vida.

25 de julho de 2008

"A vida é apenas uma ponte entre dois nadas e tenho pressa."
Caio F.

24 de julho de 2008

Um pouco de esperança para nossos coraçõeszinhos

Se for para esquentar, que seja o sol;
Se for para enganar, que seja o estômago;
Se for para chorar, que seja de alegria;
Se for para mentir, que seja a idade;
Se for para roubar, que se roube um beijo;
Se for para perder, que seja o medo;
Se for para cair, que seja na gandaia;
Se existir guerra, que seja de travesseiros;
Se existir fome, que seja de amor;
Se for para ser feliz, que seja o tempo todo!!

Mário Quintana

20 de julho de 2008

Trecho

Seu cerebro deveria inventar alguma mentira enorme para alcan;car e esclarecer o estados dos seus sentidos.

Rilke

17 de julho de 2008

Andar em circulo.
Abraços.
Repetir "Nossa Senhora"

Um dia...

16 de julho de 2008




Link: http://www.youtube.com/watch?v=YMD0OvZR0vc

Filme: Opaió. Em cima da mesa: Virginia Rodrigues.Música: Do Olodum ( I miss her). Pra vcs se mexerem onde estiverem.=] bjos!!

15 de julho de 2008

os sapinhos

Minha mae foi embora hoje. deu uma solidao de voltar pro quarto, aih encontro todas essas postagems aqui... ai.

Gostei muito de ler a Vanessa. Vanessa, que bom te ler, me espere pras materias chatas, vou gostar de (nao) frequenta-las com voce. A Luiza, o aniversario da Marina, a foto da Hannah, o Vinicius...

Vou tentar nao ser cliche - se bem que acho que ja' e' tarde demais - mas nao dah pra deixar de falar em como voces sao poeticos. Aqui ninguem fala de nada, e e' um monte de nada. A gente le e nao sabe se o outro ainda usa meias pretas, se ainda sente falta de poesia quando le romance e de romance quando le poesia, nao dah pra saber se alguem ainda usa anel no polegar, se quer 2 livros ("dois nao, VINTE livros"), se alguem ainda acha que e' fadada a ser canceriana sem lar, se a menina fala em casamento com a voz e o sorriso mais doces do mundo (mesmo quando 1 semana atras o casamento tinha outra noiva), e vindo aqui tambem nao da' pra ter noticias de ninguem que chega saltitante as 7 horas da madrugada. por falar nisso, cade o gabriel? puta saudade da garota radar que habita aquele corpo. =)

Eu comparo, mesmo que o Vinicius tenha me dito pra parar de comparar, e sao voces os meus amigos, os meus amores e a Goiania da qual sinto saudade. sentimental demais... fazer o que.

Nao tenho novidades que merecam ser digitadas, contudo um telefonema me faria bem, aih os passarinhos no fio da cidade iriam ouvir tudo e espalhar que coisas acontecem. O Armando, meu irmao, me desenhou um passarinho em uma carta, desde entao tenho carinho pelos passaros, apesar de que de longe eles parecem sapos. Ambos andam pulando. O que falta e' a grana para o telefonema, logico.

Beijos em voces, depois venho aqui pra postar alguma coisa interessante.

14 de julho de 2008

Um abraço em forma de vento à Marina

Marina, atrasado, mas a intensidade é a mesma.
Como presente, uma foto e algumas palavras, e o próximo vento que balançar seus cabelos, sou eu. Providenciei um super sedex! Ele leva um abraço meu de feliz aniversário.


















"Quantos perfumes, e batons, e olhares temos que guardar
para que essa vontade nossa, sem nome, sem endereço, sem
abrigo muitas vezes, se sacie? Que vontade é essa que nos bota
descalsa, sem saia e sem cor? Que espécie de tremor é esse
que nos põe doente, nos leva e nos busca, nos repuxa e empurra
para um sem fim de lúcidas e insanas vivências e existências?
Existimos sim, porque algo pulsa, nem que seja a bombinha
de sangue."

Que tudo de bom chegue até você!
Um abraço.

13 de julho de 2008

"Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu." Carlos Drummond de Andrade


Marina

"Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez."

Eu queria começar isso com um trecho do Caio Fernando Abreu porque eu sei que você gosta dele e porque eu achei perfeito te desejar uma fé enorme. Porque me parece que quanto mais a gente vai vivendo é preciso cada vez mais fé pra cantar "parabéns pra vc" sabe?! Aquela musiquinha era tão grande quando éramos crianças. Vc se lembra? a gente via "muitas felicidades e muuuuitos anos de vida". Agora eu não sei. A gente vai ficando estrangeiro das coisas e começa a procurar um porto e espera que deva haver uma espécie de sentido nisso tudo... Mas também acho bonito isso da gente viver e não entender nada... rs

Eu me lembro de uma frase do Drummond de que "A fé remove montanhas, substituindo-as por abismos." e por isso acho que o Caio resolve tudo de novo com um trecho de "Os dragões não conhecem o paraíso" que diz assim:"É dificil aprisionar os que tem asas". Então eu te desejo fé e asas. E espero que você seja doce.

"Parabéns pra vc nessa data querida, muitas felicidades e muitos anos de vida!!!"

Maressa.

"Sob a pele das palavras há cifras e códigos." (C.D.A.)


9 de julho de 2008

José Regio responde à pesquisa

Adão e Eva

Olhámo-nos um dia,
E cada um de nós sonhou que achara
O par que a alma e a cara lhe pedia.– E cada um de nós sonhou que o achara...
E entre nós dois
Se deu, depois, o caso da maçã e da serpente,
... Se deu, e se dará continuamente:
Na palma da tua mão,
Me ofertaste, e eu mordi, o fruto do pecado.
– Meu nome é Adão
...E em que furor sagrado
Os nossos corpos nus e desejosos
Como serpentes brancas se enroscaram,
Tentando ser um só!Ó beijos angustiados e raivosos
Que as nossas pobres bocas se atiraram
Sobre um leito de terra, cinza e pó!
Ó abraços que os braços apertaram,
Dedos que se misturaram!Ó ânsia que sofreste, ó ânsia que sofri,
Sede que nada mata, ânsia sem fim!– Tu de entrar em mim,
Eu de entrar em ti.
Assim toda te deste,
E assim todo me dei:Sobre o teu longo corpo agonizante,
Meu inferno celeste,
Cem vezes morri, prostrado...Cem vezes ressuscitei
Para uma dor mais vibrante
E um prazer mais torturado.
E enquanto as nossas bocas se esmagavam,
E as doces curvas do teu corpo se ajustavam
Às linhas fortes do meu,
Os nossos olhos muito perto, imensos,
No desespero desse abraço mudo,
Confessaram-se tudo!... Enquanto nós pairávamos, suspensos
Entre a terra e o céu.
Assim as almas se entregaram,
Como os corpos se tinham entregado,
Assim duas metades se amoldaram
Ante as barbas, que tremeram,
Do velho Pai desprezado!
E assim Eva e Adão se conheceram:Tu conheceste a força dos meus pulsos,
A miséria do meu ser,
Os recantos da minha humanidade,
A grandeza do meu amor cruel,
Os veios de oiro que o meu barro trouxe...Eu, os teus nervos convulsos,
O teu poder,
A tua fragilidade
Os sinais da tua pele,
O gosto do teu sangue doce...Depois...Depois o quê, amor?
Depois, mais nada,– Que Jeová não sabe perdoar!
O Arcanjo entre nós dois abrira a longa espada...
Continuamos a ser dois,
E nunca nos pudemos penetrar!

É assim que se apaixona-se?????

7 de julho de 2008

Aqueles encontros

Um doce encontro.
Adoro encontros inesperados.

Viu so, Maressa... voce me pediu que postasse algo do Rilke. La fui eu abrir meu livro e procurar por um dos paragrafos sublinhados. Deparo-me com um texto que escrevi durante o voo, em que ia de San Francisco para o Brasil, naquela minha ida no Natal.
O texto falava de Rilke, solidao e Beatles. Sera que pode ser?

Lembro que minha maior dificuldade para a carta era qual minha localizacao geografica. Como faria meu cabecalho. Escrevi: Em algum lugar no ceu dos EUA, 23/12/07.

Sempre me desgastei muito com esses detalhes esteticos e tecnicos... sempre!!!!

Ta ai um algo que me remete a outra pergunta sobre se apaixonar... mas isso e assunto para depois...
Outro problema.. dificuldade em manter-se em um assunto so...

Enfim... em breve posto o texto do Rilke

Marina

6 de julho de 2008

Pesquisa entre os passarinhos

Vc se lembra como é que faz pra se apaixonar?

AH!

Acho que a gente devia convidar a Goiandira pra participar tbm!

kkkkkkkkkkk.........

"o destino faz fogo com a lenha que encontra"

é bom estar aqui. Assim que li tudo que escreveram, me vi sentada no banquinho mais aconchegante do pátio da letras (aconchegante não por ser confortável, mas por haver nos abrigado e nos escondido quando solicitado), apesar de os nossos calouros o terem contaminado com rodadas de truco e pouca criatividade, foi lá que me vi.
A Laísa, esperando um motivo para descobrir outro segredo do mundo, o Vinícius com as idéias que ele não escondia, nem mesmo quando devia; a Maressa, com sua molecagem madura, atípica de mães (!), a Marina, com duas borboletinhas amarelas penduradas em cada um dos olhos, prontas para alçar vôo; o Sávio e... é, o Sávio. tenho medo de dizer algo que ele não goste e me deparar com páginas e páginas escritas por ele tentando explicar porque ele ficou ofendido, mas o Sávio costumava chegar com um grande sorriso, que se desfaria tão logo alguém tentasse descobrir o que lhe despertou alegria, aí, então, ele faria um discurso que envolveria vergílio ferreira e o existencialismo. A Luiza, que sempre chegava sem que fosse percebida, não por ser discreta, por ser pequenininha mesmo! de repente ela estava lá rindo da conversa que ela ouvia desde o começo!
e eu, atenta para não perder os detalhes daquela aventura imensa e lindíssima.
amo vcs.
ah, laisa, vc se importa de voltar logo, é que tem matérias que eu vou querer faltar bastante, mas sem vc eu não tenho um motivo suficientemente forte pra isso, entende?! e Vinícius, valeu por lembrar de mim, agora vc é meu melhor amigo...rsrsrs!, Lu, estou trabalhando num disfarce pra vc, aí a gente vai poder sair com a Tami durante as férias..., maressinha, meu par mínimo, quero que me conte como está depois de quarta...hehehehe. e, marina, tem vaga pra vc na minha barraca no próximo canto da primavera...mas o gustavo tbm vai estar lá dentro, tudo bem assim?? =)
SAUDADE !

5 de julho de 2008

Minha maior verdade!

Olha que linda gentein!

Isso é que é VERDADE!!!

Presente pra vcs!

A Hannah que escolheu a foto!


Beijos

Maressa & Hannah

Minha verdade

Quem é que assim nos inverteu a rota, para,
em tudo o que fazemos, assumirmos a atitude
de quem está de partida? Tal como ele, no alto
da última colina que lhe dá a ver uma vez mais
todo o seu vale, se volta, pára, se demora —
assim vivemos nós em permanente despedida.

Rilke

4 de julho de 2008

Qual verdade é a sua?

Então... como só se diz isso aqui, porque é a verdade, que saudade da gente!!!!! Que saudade dos nossos silencios, nossos gritos, risadas, fofocas e performances por aí. Vou postar um textinho pequeno, desses tipo de mesa de bar. Um abraço muito forte em todooos: Maressa, Marina, Vinícius, Laísa, Ju, Sávio, e pra Vanessinha tbm porque concordo com o Vinícius.
=*************

Da família

Era daquelas firmes, que seguravam com ossos do coração, a filha que era do peito. E do peito também saía o leite amargo, que só era amargo porque era forte, cheio de vitaminas que abrigavam o infante – doente? Já era desde a idéia. A idéia na verdade, foi sempre de pecado e dor... Abrigar, abrigar, abrigar até a tampa! –.
Daquelas de palavras doces, porque doce era a verdade e aquela verdade TINHA de ser doce.
Picolé, sorvete, guloseimas divertidas, eram escolhidas a unhas e colhidas com a pinça. Uma sutileza que só vivendo...
E sutil era como tinham de ser as palavras da pequena criança – já com rugas! – pois qualquer suspiro diferente era sinal de fuga.
Amor muito! Mas era dela e dela e de mais ninguém. E aí do querer!
O querer, a fuga, as guloseimas, a pinça, o infante e a idéia: combinação difícil...!
Era daquelas, como quase todas, que o nó não desatava. Mas era necessário, inadiável, questão de sobrevivência que se construísse um outro nó, ou outros nós. E esse cordão umbilical agora – novo e irremediável – só podia nascer da filha-mulher. Seu corpo já tinha sido batizado pela claridade do mundo, também amargo! A construção de um nó era urgente!
O tempo veloz fincava os pés na terra fazendo um buraco – e chegaria aos dez palmos –. Antes que seja tarde demais e a vida sorria irônica.
O peso era a coragem escolhida.
E o que ardia mais era o amor, o abrigo, o doce, o leite e a idéia que não morrem nunca.